ANDORINHA FORA DE SEU CAMPO NÃO FAZ VERÃO!

(Transferência do Banco Mercantil de São Paulo - Ag. Ribeirão Preto p/ Ag. Capital - 1974)

Sonhei um dia que era
Uma frágil andorinha
Voando por entre campos
Sobre abismos da colina

Porém, ainda em sonhos
Algo ao longe me atraía
Eram os fios da cidade
Que minha ambição exigia

O despertar bem cedo
Como seria gostoso!
Arrulhando em altos prédios
Amanhecer, pós - repouso

Das máquinas operantes
Ouvir o apito insistente
Que convida toda gente
A lutar, seguir adiante

No frenesi do sucesso
Tudo tão fácil seria
Grandes centros pousaria
Não ter dia de regresso

Sonhava, sorria e voava
em meu formato de asas
E quanto mais alto eu pensava
Mais em sonho eu viajava

A brisa leve em meu rosto
Fez balançar minhas penas
Provei sensação mais nova
Bem no alto das antenas

Enquanto a cidade se abria
E me oferecia passagem
Profundamente eu sentia
Chegar ao fim da viagem

Naquele espaço tão lindo
Fosse altura ou fosse chão
Descobri a agressão
Da negra poluição.

Tonteei, fui ao chão
Com esforço quis subir
Mas a força da ilusão
Tímida, fez-me cair.

Neste exato momento
Senti as asas pesar
Contra a chuva quis lutar
Na neblina, que tormento!

Na cidade quis sonhar
Vi - me só e, frágil, lutei
Antes do esforço vencido
Bati as asas...Voltei!